04/16/2010

O cliente tem sempre razão?

Essa eu respondo sem titubear: Nem sempre.

Pra quem não sabe, eu sou designer e trabalho com internet. Sou aquele cara que faz o “visu” dos sites, que se preocupa em deixá-los bonitos, agradáveis, fáceis de usar e etc.

Ser designer e trabalhar com criação não é fácil. Primeiro porque nem todo mundo entende o que você faz e segundo porque nem todo mundo leva a sério suas habilidades. Não entendeu? Eu explico.

Quem é designer já passou por isso pelo menos alguma vez na vida, às vezes nem sua própria mãe sabe explicar pra amiga o que é a sua profissão.

Quantas vezes já te perguntaram “o que você faz?” e você respondeu “sou designer”. Aí a pessoa fez uma expressão quase que indescritível: ela levantou as sobrancelhas, inclinou um pouco a cabeça pra trás, soltou um “aaaahn” e depois perguntou: “mas e o que você faz?”

Mas isso é aceitável, realmente não é a profissão mais comum do mundo e ela tem várias vertentes, podendo ser designer de automóveis, jóias e, hoje em dia, até de sobrancelhas, né? Então essa aí passa.

O problema é quando duvidam das suas habilidades, ou seja, o cliente te contrata mas não confia no seu trabalho. Não estou generalizando e nem dizendo que o trabalho do designer não é questionável, óbvio, mas isso acontece e muito. Eu, por exemplo, quando contrato um desarmador de bombas, não vou ficar questionando se ele tem que cortar o fio vermelho ou o fio azul. Ele sabe o que está fazendo, né?

Enfim, esse papo rende muito e os comentários estão aí pra isso. Agora, vou tomar a liberdade pra compartilhar algumas pérolas que já vi nesse mundão de meu Deuso:

O preto claro – Esse episódio foi marcante, a cliente viu o preview, disse que gostou, mas que tinha uma única observação:

Esse preto está muito escuro. Você não poderia colocar um preto mais claro?

“Cinza?” Eu perguntei.

Não, cinza não. É diferente, é um preto mais claro, mesmo.

CTRL + Z – Um clássico, risada garantida. Esse eu conto pra todo mundo, inclusive numa palestra que dei para os designers do primeiro ano da UCDB, em 2009. O cliente queria que a marca dele se destacasse mais do background onde estava aplicada e sugeriu que eu aumentasse a intensidade do glow que eu estava usando sutilmente.

Eu falei que ficaria ruim, muito artificial, mas ele insistiu. Apliquei o efeito e ele disse:

Hum, não. Ficou muito forte, não gostei.

Então eu dei CTRL + Z para voltar ao original e poder refazer pra ele ver, quando de repente…

Isso aí, fera! Agora você acertou! Não falei que você conseguia?

Claro que fiquei quieto, né?

Aprovado e desaprovado – Nesse caso, era o design do site de um haras. Usei um marrom bem escuro, contrastando com verde, creme, branco, fonte em tamanho normal, tudo bem dentro do padrão. Foi aprovado de primeira, mas no dia seguinte a cliente volta e diz que o layout foi reprovado. Perguntamos o motivo e ela disse:

É que quem dá a última palavra é o meu pai. Ele é um senhor de 80 anos que tem problemas de visão e não consegue enxergar direito as coisas.

Sem ser maldoso, mas aí fica difícil, né?

E a pérola de todas as pérolas foi a seguinte pergunta:

Você cobra?

Não, meu amigo. Depois que descobri como fazer fotossíntese eu deixei de cobrar pelo meu trabalho.

E você, leitor designer, ilustrador, publicitário e criativo em geral, tem alguma pérola pra compartilhar? Fique à vontade!

13 comentários